Translate

terça-feira, 4 de junho de 2024

Amadurecemos com os danos, não com os anos.

Ao falar dos tombos que sofremos na mais tenra idade, é quase que impossivel não tentar comparar o grau da aflição que um ou outro tropeço pôde nos proporcionar.

Mesmo que inofensivo, o primeiro acidente que nos corre à memória é aquele que, de certa forma, deixou sua marca.

Seja um joelho ralado, uma fenda na testa ou um braço quebrado: ter o primeiro contato consciente com a dor é um terror inolvidável.

Pois, se num momento estamos protegidos nos braços amorosos de nossos pais e sentimos que nada pode nos atingir, minutos depois há uma mistura grossa de sangue e terra que escoa de um corte que não parece assim tão exagerado para quem vê de fora — mas só para quem vê de fora.

Porém não é isso o que torna esse primeiro contato com a dor algo tão apavorante. É a descoberta do quão solitários estamos ao enfrentar uma agonia individual, mesmo sob os cuidados de um adulto.

Por fim, o que se procede após o choque pode variar entre o ardor da higienização ante ao curativo, ou a palmada de advertência. Depois que a compreensão é digerida e descobrimos como as feridas são feitas, ficamos cuidadosos. Um escorregão é erguido com gargalhadas e nos tornamos mais duros que o chão.

Isso, até descobrirmos a queda livre que nos guarda os problemas do mundo...

“A consciência, e não a idade, leva à sabedoria.”

[Publílio Siro]

Amadurecemos com os danos, não com os anos.

Via Per Onore


 

sábado, 18 de maio de 2024

Se estraguei, aprendi a resolver


 

Sobre os meus ombros, as minhas responsabilidades. A culpa é toda minha. Não me renderei ao jogo de vítima, não repassarei as minhas chagas.

 Estou onde estou agora, por causa do que fiz até agora. Essa é a crua verdade, a violenta realidade.

Depois de aceitar isso, você também encontrará coragem para dizer: “Se estraguei, aprendi a resolver”. E isso é o que conta. É o que significa ser digno — de suas dores e de suas curas.

 Saber que as consequências pertencem a você, e somente a você, traz consigo a clareza de que prevalecer sobre os próprios demônios, ainda está em seu poder.

 “A verdadeira força de um homem é demonstrada pela sua disposição em carregar o peso das consequências de suas ações e decisões, sem hesitação ou desculpas”

Via Per Onore

terça-feira, 14 de maio de 2024

Habilidade cinzelada durante anos

 

“Um homem do reino Zheng

decidiu comprar um par de sapatos

para celebrar uma importante coroação.

Pegou a fita métrica,

mediu seu pé direito e depois seu pé esquerdo.

Ao sair, esqueceu a fita e as anotações sobre a cadeira.

Mais tarde,

quando encontrou os sapatos que queria,

se deu conta do esquecimento e praguejou:

“Oh infortúnio! Deixei de trazer as medidas!”

E voltou correndo para casa para buscá-las.

Ao retornar ao mercado,

a feira tinha acabado.

Não havia mais nada aberto,

e ele foi tomado por um profundo pesar

porque não pôde comprar os sapatos.

“Por que não experimentou os sapatos?”

alguém perguntou.

Ele respondeu que acreditava mais na fita

métrica do que nos seus pés.”

(Fábula Chinesa)

 


 

 [!] Moral: A confiança nos conselhos não pode substituir a fé em si mesmo.

Constantemente nos apoiamos a métodos e ferramentas crendo que eles garantirão o nosso sucesso, maldita confiança preguiçosa que nos faz desdenhar da própria experiência, do bom senso e de uma habilidade cinzelada durante anos.

Para que não entrelacem os pés e se caia em ruína: tenha perspicácia nos olhos, atenção nos ouvidos, e uma mente ágil; assim, separe o conselho dos interesses, a razão das emoções e a análise da intuição.

Entenda o que alguém receberá por aconselhá-lo, e você o que ganhará por não segui-lo. Muito se esconde por trás de credenciais, inclusive a má intenção. Veja as coisas com clareza, disseque-as. Não deixe que os outros pensem por você. Faça seu próprio julgamento.

“Isso nunca deixa de me surpreender: todos nós nos amamos mais do que as outras pessoas, mas nos importamos mais com as opiniões deles do que com as nossas.” — Marco Aurélio

Per Onore


#47