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quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

Nadar com tubarões


 

Nunca mostre suas feridas para quem não confia. O sangue atrai tubarões. São poucos que irão te ajudar a cicatrizar, a maioria vão usar contra você

segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

"Pálido Ponto Azul"

 


 

Trecho do livro "Pálido Ponto Azul"

Olhem de novo para o ponto. É ali. É a nossa casa. Somos nós.

Nesse ponto, todos aqueles que amamos, que conhecemos, de quem já ouvimos falar, todos os seres humanos que já existiram, vivem ou viveram as suas vidas.

Toda a nossa mistura de alegria e sofrimento, todas as inúmeras religiões, ideologias e doutrinas econômicas, todos os caçadores e saqueadores, heróis e covardes, criadores e destruidores de civilizações, reis e camponeses, jovens casais apaixonados, pais e mães, todas as crianças, todos os inventores e exploradores, professores de moral, políticos corruptos, “superastros”, “lideres supremos”, todos os santos e pecadores da história da nossa espécie, ali — num grão de poeira suspenso num raio de sol.

A Terra é um palco muito pequeno em uma imensa arena cósmica. Pensem nos rios de sangue derramados por todos os generais e imperadores para que, na glória do triunfo, pudessem ser os senhores momentâneos de uma fração desse ponto.

Pensem nas crueldades infinitas cometidas pelos habitantes de um canto desse pixel contra os habitantes mal distinguíveis de algum outro canto, em seus frequentes conflitos, em sua ânsia de recíproca destruição, em seus ódios ardentes. Nossas atitudes, nossa pretensa importância, a ilusão de que temos uma posição privilegiada no Universo, tudo é posto em dúvida por esse ponto de luz pálida.

O nosso planeta é um pontinho solitário na grande escuridão cósmica circundante. Em nossa obscuridade, em meio a toda essa imensidão, não há nenhum indício de que, de algum outro mundo, virá socorro que nos salve de nós mesmos.

A Terra é, até agora, o único mundo conhecido que abriga a vida. Não há nenhum outro lugar, ao menos no futuro próximo, para onde nossa espécie possa migrar. Visitar, sim. Goste-se ou não, no momento a Terra é o nosso posto. Tem-se dito que a astronomia é uma experiência que forma o caráter e ensina humildade.

Talvez não exista melhor comprovação da loucura das vaidades humanas do que está distante imagem de nosso mundo minúsculo. Para mim, ela sublinha a responsabilidade de nos relacionarmos mais bondosamente uns com os outros e de preservarmos e amarmos o pálido ponto azul, o único lar que conhecemos.

 CARL SAGAN

 

quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

Se encontro uma razão para confiar, desconfio.

É preferível cometer erros de prudência do que de descuido. Com o primeiro, imbuído de uma cautela discreta, que não se manifesta e apenas me faz ser paciente, sei que terei uma segunda oportunidade, e nela farei a minha correção irrisória. Este privilégio, entretanto, não se dá ao erro do descuido, pois quem não queira depender sempre de milagres também não deve esperar sobreviver a uma próxima ocasião.
 
A salvo, resguardo-me ao próximo dia através do que disse Demóstenes:
 
“muralhas e muros são bons meios de defesa, mas o melhor é a desconfiança.”
 

 

segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

Que consigamos ser felizes na mesmice.


  

 A gente vive querendo que chegue a sexta, e que depois cheguem as férias, a próxima viagem e que venha logo o ano que vem.


Parece que nos acomete uma necessidade urgente de sair da mesmice chamada rotina.


Talvez porque sejamos uma geração viciada em dopamina, queremos sentir prazer o tempo todo.

 E a novidade gera esse prazer.
No cotidiano não existe o prazer do novo.
O cotidiano exige da gente enxergar aquelas belezas que são menos óbvias.
Refletindo sobre isso, lembrei da minha avó.


A Nona não viajava e tampouco tinha férias, mas o que ficou gravado na minha memória, é que toda vez que a via, ela estava com um sorriso no rosto.

Sempre muito ocupada com os afazeres da casa, ela corria pra lá e pra cá, com a pressa de quem tem muito o que fazer e mesmo assim demonstrava estar feliz.


A minha geração julgaria que a vida que ela levava era monótona e sem graça.


Refletindo profundamente, acredito que a geração dela conseguiu enxergar essa beleza oculta do cotidiano.

Acho que a geração dos nossos avós sabiam ressignificar as coisas, se tem louça pra lavar é porque antes teve comida na mesa, se a casa ficou bagunçada é porque tivemos a oportunidade de viver mais um dia. Não tive a oportunidade de falar com a Nona sobre isso, mas penso que esse seria um possível pensamento dela.

Que possamos sim, ansiar com muita intensidade as nossas férias e finais de semana, mas que saibamos também ver as belezas escondidas no cotidiano (e sentir prazer nisso).

Que consigamos ser felizes na mesmice.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

Refugie-se na sabedoria


 

“Por que você está procurando por problemas que, talvez, possam vir a seu encontro, mas que, de fato, podem não chegar a seu caminho? Quero dizer incêndios, edifícios caindo e outros acidentes do tipo que são meros eventos, e não tramas contra nós. Em vez disso, fique atento e evite os problemas que seguem nossos passos e estendem a mão contra nós. Os acidentes, embora possam ser sérios, são poucos – como naufragar ou a colisão de uma carruagem; mas é do próximo que vem o perigo cotidiano de um homem. Equipe-se contra isso; vigie isso com um olho atento. Não há nenhum mal mais frequente, nenhum mal mais persistente, nenhum mal mais insinuante.
Mesmo a tempestade, antes de se iniciar, dá um aviso; casas trincam antes de caírem; e a fumaça é o precursor do fogo. Mas o dano pelo homem é instantâneo, e de quanto mais próximo ele vem mais cuidadosamente está escondido. Você está errado em confiar na fisionomia daqueles que encontra. Eles têm o aspecto de homens, mas almas de bestas; a única diferença é que os animais lhe causam dano ao primeiro encontro; aqueles que passaram por eles não são perseguidos. Pois nada os incita a causar dano, exceto quando a necessidade os obriga: é a fome ou medo que os obriga a lutar. Mas o homem se delicia em arruinar o homem.
Você deve, no entanto, refletir o perigo que você corre na mão do homem, para que você possa deduzir qual é o dever do homem. Tente, nas suas relações com os outros, não prejudicar, para que não seja prejudicado. Você deve se alegrar com todos em suas alegrias e simpatizar com todos em seus problemas, lembrando o que deve oferecer e o que deve reter.
E o que você pode alcançar vivendo uma vida dessas? Não necessariamente a imunidade contra danos, mas pelo menos liberdade de engano.
Dessa forma, no entanto, quando for capaz, refugie-se na sabedoria: ela irá cuida-lo em seu seio, e em seu santuário você estará seguro, ou, pelo menos, mais seguro do que antes.
As pessoas colidem apenas quando viajam pelo mesmo caminho.
Mas essa mesma sabedoria nunca deve ser alardeada por você; pois a sabedoria quando empregada com insolência e arrogância tem sido perigosa para muitos. Deixe-a retirar suas falhas, em vez de ajudá-lo a criticar as falhas dos outros. Não deixe que ela se afaste dos costumes da humanidade, nem faça com que ela condene o que ela mesma não faz. Um homem pode ser sábio sem alarde e sem provocar inimizade."

quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

12 hábitos para 2023


 

 0:00 Intro
0:43 Escrever;
1:33 Organização Financeira;
2:14 Diminuir Redes Sociais;
2:57 Parar de Carregar Sentimentos Negativos;
4:01 Praticar Exercício;
4:48 Passar tempo em silêncio para Reflexão;
5:50 Estudar uma língua;
6:29 Não Ver Notícias;
7:19 Pratique a Leitura;
7:48 Boa Alimentação;
8:32 Praticar uma Nova Habilidade;
9:10 Aproveitar as Pequenas Coisas.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

Não Evite a Guerra


 

Noite passada sonhei com um cão feroz entre mim e o caminho.
 
Ele se manteve com seu pelo de fuligem entre a vista que eu desejava provar.
 
Experimentei medo. Mas demonstrei coragem.
 
Ao invés de combatê-lo, ofereci pedaços de carne para que eu pudesse recuar sem confusão.
 
Escondi os tremores em astúcia. Ganhei tempo.
 
Quando o cão se distraiu, finalmente mostrei a verdade e me escondi, deixando a estrada…
 
De que vale uma coragem que serve ao medo, eu me pergunto. Deveria ter lutado.
 
Mas neste caminho já não porei os pés tão cedo, porque nele agora, deve haver cães.
 
[!] "Nunca se deve deixar prosseguir uma crise para escapar a uma guerra, mesmo porque dela não se foge, mas apenas se adia para desvantagem própria." —Nicolau Maquiavel, no livro "O Príncipe".

 

#47