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terça-feira, 10 de janeiro de 2023

Por quem e pelo o que você luta ?

Quando a guerra parece perdida, quando na luta se vislumbra apenas derrota, talvez seja o momento de parar de olhar para a batalha e passar a refletir por quem e pelo o que você luta.
 
De igual modo, incessantemente, já expus em outras oportunidade, a vida de um homem é uma eterna batalha. A paz, no mundo real, é apenas verdadeiramente conquistada quando a tampa do mausoléu for selada.
 
Em vida, os bons momentos são nossas tréguas de momentos breves de transição entre uma guerra e outra ainda maior. Desistir diante de um problema apenas o fará ganhar um pequeno tempo até que outro pior ainda apareça.

O arquétipo de grande gladiador não existe. Somos todos legionários romanos crus e novatos diante de uma guerra milenar, cujo estandarte levantado sequer sabemos o motivo. No fundo, tudo isto não é sobre vencer ou perder, mas sim, voltar vivo todos os dias para casa.
 
Seu emprego, seus negócios, seus empreendimentos, seus investimentos, talvez lhe sejam seus maiores fardos. Tão pesados quanto carregar o próprio corpo moribundo por um campo íngreme coberto de flechas. Com o estômago cheio hoje, não há tempo para aproveitar, pois amanhã poderá está vazio. E é justamente a ansiedade pelo que virá que o deprime profundamente.

Eu gostaria muito de ser o arauto que diz: a vitória está perto, basta lutar com maior determinação e disciplina. Mas eu sou o apenas o pobre centurião desertor de Roma que consola seus legionários a dizer: resista um pouco mais, tenha honra e orgulho e continue a lutar para amparar os seus e, quem sabe, voltar para casa...

Via Cosa Nostra
 

quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

Nadar com tubarões


 

Nunca mostre suas feridas para quem não confia. O sangue atrai tubarões. São poucos que irão te ajudar a cicatrizar, a maioria vão usar contra você

segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

"Pálido Ponto Azul"

 


 

Trecho do livro "Pálido Ponto Azul"

Olhem de novo para o ponto. É ali. É a nossa casa. Somos nós.

Nesse ponto, todos aqueles que amamos, que conhecemos, de quem já ouvimos falar, todos os seres humanos que já existiram, vivem ou viveram as suas vidas.

Toda a nossa mistura de alegria e sofrimento, todas as inúmeras religiões, ideologias e doutrinas econômicas, todos os caçadores e saqueadores, heróis e covardes, criadores e destruidores de civilizações, reis e camponeses, jovens casais apaixonados, pais e mães, todas as crianças, todos os inventores e exploradores, professores de moral, políticos corruptos, “superastros”, “lideres supremos”, todos os santos e pecadores da história da nossa espécie, ali — num grão de poeira suspenso num raio de sol.

A Terra é um palco muito pequeno em uma imensa arena cósmica. Pensem nos rios de sangue derramados por todos os generais e imperadores para que, na glória do triunfo, pudessem ser os senhores momentâneos de uma fração desse ponto.

Pensem nas crueldades infinitas cometidas pelos habitantes de um canto desse pixel contra os habitantes mal distinguíveis de algum outro canto, em seus frequentes conflitos, em sua ânsia de recíproca destruição, em seus ódios ardentes. Nossas atitudes, nossa pretensa importância, a ilusão de que temos uma posição privilegiada no Universo, tudo é posto em dúvida por esse ponto de luz pálida.

O nosso planeta é um pontinho solitário na grande escuridão cósmica circundante. Em nossa obscuridade, em meio a toda essa imensidão, não há nenhum indício de que, de algum outro mundo, virá socorro que nos salve de nós mesmos.

A Terra é, até agora, o único mundo conhecido que abriga a vida. Não há nenhum outro lugar, ao menos no futuro próximo, para onde nossa espécie possa migrar. Visitar, sim. Goste-se ou não, no momento a Terra é o nosso posto. Tem-se dito que a astronomia é uma experiência que forma o caráter e ensina humildade.

Talvez não exista melhor comprovação da loucura das vaidades humanas do que está distante imagem de nosso mundo minúsculo. Para mim, ela sublinha a responsabilidade de nos relacionarmos mais bondosamente uns com os outros e de preservarmos e amarmos o pálido ponto azul, o único lar que conhecemos.

 CARL SAGAN

 

quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

Se encontro uma razão para confiar, desconfio.

É preferível cometer erros de prudência do que de descuido. Com o primeiro, imbuído de uma cautela discreta, que não se manifesta e apenas me faz ser paciente, sei que terei uma segunda oportunidade, e nela farei a minha correção irrisória. Este privilégio, entretanto, não se dá ao erro do descuido, pois quem não queira depender sempre de milagres também não deve esperar sobreviver a uma próxima ocasião.
 
A salvo, resguardo-me ao próximo dia através do que disse Demóstenes:
 
“muralhas e muros são bons meios de defesa, mas o melhor é a desconfiança.”
 

 

segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

Que consigamos ser felizes na mesmice.


  

 A gente vive querendo que chegue a sexta, e que depois cheguem as férias, a próxima viagem e que venha logo o ano que vem.


Parece que nos acomete uma necessidade urgente de sair da mesmice chamada rotina.


Talvez porque sejamos uma geração viciada em dopamina, queremos sentir prazer o tempo todo.

 E a novidade gera esse prazer.
No cotidiano não existe o prazer do novo.
O cotidiano exige da gente enxergar aquelas belezas que são menos óbvias.
Refletindo sobre isso, lembrei da minha avó.


A Nona não viajava e tampouco tinha férias, mas o que ficou gravado na minha memória, é que toda vez que a via, ela estava com um sorriso no rosto.

Sempre muito ocupada com os afazeres da casa, ela corria pra lá e pra cá, com a pressa de quem tem muito o que fazer e mesmo assim demonstrava estar feliz.


A minha geração julgaria que a vida que ela levava era monótona e sem graça.


Refletindo profundamente, acredito que a geração dela conseguiu enxergar essa beleza oculta do cotidiano.

Acho que a geração dos nossos avós sabiam ressignificar as coisas, se tem louça pra lavar é porque antes teve comida na mesa, se a casa ficou bagunçada é porque tivemos a oportunidade de viver mais um dia. Não tive a oportunidade de falar com a Nona sobre isso, mas penso que esse seria um possível pensamento dela.

Que possamos sim, ansiar com muita intensidade as nossas férias e finais de semana, mas que saibamos também ver as belezas escondidas no cotidiano (e sentir prazer nisso).

Que consigamos ser felizes na mesmice.

#47