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sábado, 18 de maio de 2024

Se estraguei, aprendi a resolver


 

Sobre os meus ombros, as minhas responsabilidades. A culpa é toda minha. Não me renderei ao jogo de vítima, não repassarei as minhas chagas.

 Estou onde estou agora, por causa do que fiz até agora. Essa é a crua verdade, a violenta realidade.

Depois de aceitar isso, você também encontrará coragem para dizer: “Se estraguei, aprendi a resolver”. E isso é o que conta. É o que significa ser digno — de suas dores e de suas curas.

 Saber que as consequências pertencem a você, e somente a você, traz consigo a clareza de que prevalecer sobre os próprios demônios, ainda está em seu poder.

 “A verdadeira força de um homem é demonstrada pela sua disposição em carregar o peso das consequências de suas ações e decisões, sem hesitação ou desculpas”

Via Per Onore

terça-feira, 14 de maio de 2024

Habilidade cinzelada durante anos

 

“Um homem do reino Zheng

decidiu comprar um par de sapatos

para celebrar uma importante coroação.

Pegou a fita métrica,

mediu seu pé direito e depois seu pé esquerdo.

Ao sair, esqueceu a fita e as anotações sobre a cadeira.

Mais tarde,

quando encontrou os sapatos que queria,

se deu conta do esquecimento e praguejou:

“Oh infortúnio! Deixei de trazer as medidas!”

E voltou correndo para casa para buscá-las.

Ao retornar ao mercado,

a feira tinha acabado.

Não havia mais nada aberto,

e ele foi tomado por um profundo pesar

porque não pôde comprar os sapatos.

“Por que não experimentou os sapatos?”

alguém perguntou.

Ele respondeu que acreditava mais na fita

métrica do que nos seus pés.”

(Fábula Chinesa)

 


 

 [!] Moral: A confiança nos conselhos não pode substituir a fé em si mesmo.

Constantemente nos apoiamos a métodos e ferramentas crendo que eles garantirão o nosso sucesso, maldita confiança preguiçosa que nos faz desdenhar da própria experiência, do bom senso e de uma habilidade cinzelada durante anos.

Para que não entrelacem os pés e se caia em ruína: tenha perspicácia nos olhos, atenção nos ouvidos, e uma mente ágil; assim, separe o conselho dos interesses, a razão das emoções e a análise da intuição.

Entenda o que alguém receberá por aconselhá-lo, e você o que ganhará por não segui-lo. Muito se esconde por trás de credenciais, inclusive a má intenção. Veja as coisas com clareza, disseque-as. Não deixe que os outros pensem por você. Faça seu próprio julgamento.

“Isso nunca deixa de me surpreender: todos nós nos amamos mais do que as outras pessoas, mas nos importamos mais com as opiniões deles do que com as nossas.” — Marco Aurélio

Per Onore


quinta-feira, 18 de abril de 2024

Linha tênue é o que há entre ser bondoso e permissivo

 

Se a excessiva bondade de um homem permite que os justos e inocentes sofram, eu não a vejo como outra coisa senão maldade.

O inofensivo necessita batizar a sua negligência com um nome honroso, e geralmente chama a este caráter frouxo de misericórdia.

Linha tênue é o que há entre ser bondoso e permissivo.

E eu prefiro pecar pela aspereza do que permitir que quem eu amo sofra com a minha negligência.
 

domingo, 31 de março de 2024

Sangue e suor, ainda que não bastem, enobrecem qualquer pedido.


 Todo mundo tem problemas, poupe os outros do seu drama.

Nenhuma porção de queixa reduzirá qualquer quantidade de problema.

O que faz a tua pedra ser mais pesada que a do teu irmão? Se ele suporta a parte que lhe cabe em silêncio, não significa que ele deva somar você aos próprios fardos — ou deseja transformar-se num problema a ser resolvido?

Não fique por aí resmungando, filho. Não desperdice seu fôlego soltando suspiros; você vai precisar de ar nos pulmões para impelir aquilo que tenta reprimi-lo.

Por que ser visto como alguém que foi abatido? Isso não comove ninguém. Preserve consigo um ar de perseverança, e até um chamado de ajuda será visto como ato heróico. Sangue e suor, ainda que não bastem, enobrecem qualquer pedido
 

quinta-feira, 21 de março de 2024

Nenhum excesso de preocupação pode tocar a realidade.

 

A preocupação é em certo ponto viciante, porque lhe fornece um senso de relevância no lugar em que você estiver, sem que esteja fazendo algo.

É um aparato de entretenimento portátil: você entra no banho ou deita na cama e divaga nos próprios excessos, a mente rodopia várias vezes em torno do mesmo eixo, isso te dá uma série de emoções – raiva, coragem, prazer de obtenção – surgem respostas heroicas para discussões fictícias, desfechos exagerados para coisas simples; você se sente bem, sente algo parecido com importância e poder, no entanto, fora desse seu domo de simulações, todos os assuntos ainda estão pendentes.

Acontece que tanto tempo girando em volta do mesmo meio faz com que a mente se perca; energia desperdiçada com o abstrato causa exaustão no panorama real, e como a infecção que se alastra quando a imunidade está baixa, o pensamento cansado se sujeita a ser vítima dos vigorosos desvairos — terminando como a cobra que perece ao engolir a própria cauda.

Suas pendências nunca são findadas, porque mesmo tendo uma ideia de resolução linear, você já começa o dia perdendo com pensamentos desordenados; anarquizados pela energia mal direcionada da noite passada.

Isso faz com que você despeje café goela abaixo ou se apoie em qualquer outra muleta de ânimo falso, só pra ter a vaga ilusão de que está fazendo algo quando, na verdade, continua correndo em círculos pra acabar levando o mesmo ciclo de postergação pra casa.

Ouça: nenhum excesso de preocupação pode tocar a realidade. E ainda que a ponderação lhe conceda epifanias que sirvam ao planejamento, se este não for contrabalanceado pela ação, é muito provável que você fique preso num circuito exaustivo durante anos.

Assim, a saída para isso não poderia ser mais óbvia: resolva suas preocupações!

Você não terá mais tempo para se preocupar uma vez que estiver ocupado tomando as medidas necessárias. E não importa se você vai começar o dia organizando a sua mesa ou tirando o lixo fora, toda ação, por menor que seja, é uma linha reta que te liberta do circuito da inércia.

Ocupe-se — para que a aflição não ocupe você.

by Per Onere

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